Os professores estão esgotados

Com a chegada do desejado recesso escolar de meio de ano, muitos professores terão a merecida pausa nas rotinas de sala de aula, o que nem sempre significa que estarão em casa, de pernas pro ar, sem trabalho algum. Por isso, mesmo com as sagradas férias – às vezes interpretadas como um privilégio excessivo por quem não é da área da educação – os profissionais do magistério seguem sujeitos ao esgotamento. E como estamos falando de uma carreira longa, com muita repetição e obrigatória e constante interação com outras pessoas, é preciso estar vigilante para que sigamos como professores saudáveis.

O Learning Policy Institute, uma organização independente baseada na Califórnia, nos EUA, especializada em pesquisas sobre ensino e políticas educacionais, estima que entre 19% e 30% dos professores americanos deixam a carreira nos primeiros cinco anos de trabalho por razões associadas ao estresse. Ou seja, gente talentosa, inteligente e capaz de ensinar abandona tudo, deixa pra trás anos de estudo e investimento no magistério por causa das tensões da vida de professor. Mas não precisa ser desse jeito, há formas de estimular novas práticas e mudar a mentalidade para se evitar o esgotamento. Listamos a seguir sete sugestões do que fazer e do que não fazer para se manter motivado por anos nessa enlouquecedora profissão que, certamente, também pode ser recompensadora.

1. Não ande só, encontre sua turma

Todos nós precisamos do apoio e da confiança daqueles que estão travando as mesmas batalhas que nós. Necessitamos de ambientes seguros para desabafar e de aliados com os quais trocar ideias. Também precisamos de pessoas que nos inspirem, que estejam indo melhor que nós, que estejam dando certo e que, assim, sirvam de esperança e nos ajudem a manter o equilíbrio.

Às vezes, esse apoio está ao seu lado, na sala dos professores mesmo, disponível no próximo intervalo. Mas, em alguns casos, a gente precisa expandir a busca e encontrar pessoas assim em outros lugares. São elas que vão preencher o nosso senso de conexão dentro da profissão. Se a sua escola tiver, por qualquer motivo, um ambiente que pareça excessivamente tenso, pode ser uma boa hora para frequentar outros ambientes e eventos de professores só para conhecer outros colegas. Um bom ouvinte pode não apenas escutar, mas também dar perspectiva sobre tudo que você mentalmente repete há anos para si sobre a carreira do magistério. É sempre bom saber que não estamos loucos de pensar como pensamos, mas também é importante perceber possíveis exageros.

2. Não desanime, empodere-se

Punho (1)

Professores empoderados sentem-se mais fortes, mais confiantes e, assim, mais felizes com a profissão. Conceda a si mesmo autoridade sobre seu tempo e esforços, definindo prioridades e estabelecendo limites. Entre as centenas de tarefas que professores devem realizar todos os dias, cada uma tem um peso, não são todas iguais. Classifique-as e descubra quais as mais importantes, o que precisa ser feito hoje e o que pode esperar. Então, siga uma fórmula simples: faça mais do que é importante e menos do que não é relevante.

Em qualquer parte do mundo, professores tendem a se sobrecarregar, especialmente quando são novos. Estabeleça limites acerca do seu tempo e energia. É claro que os bons professores e professoras querem tornar suas turmas, suas equipes e suas escolas mais sólidas, mas isso não deve ser feito às custas da nossa saúde física e emocional. Aprenda a dizer não. Use uma comunicação gentil, educada, porém, proativa e assertiva na proteção de si mesmo e dos seus limites.

3. Continue estudando e aprendendo

“Capacitação” é a versão professoral do cada vez mais falado “empoderamento”. A busca por autonomia e domínio da própria carreira nas atividades da educação passam necessariamente por ela. Seja por meio de um curto curso livre ou de um programa de mestrado, você tem a chance de aprofundar seu conhecimento. Quanto mais você aprende, mais ferramentas terá a seu dispor na sua caixa. Além disso, quando nos envolvemos com novos aprendizados, isso acende as áreas do nosso cérebro que são movidas a novidades. Resultado: motivação pura!

Como professor, uma das melhores coisas a fazer por si mesmo e por seus alunos é continuar a ser um aprendiz. E mais: além de revigorar a sua forma de ensinar, mergulhar em novos estudos pode abrir novas possibilidades de carreira. Para os que estão desmotivados pela estagnação, não capacitar-se é fatal. Contudo, não se matricule num curso só por um título a mais no currículo. O conhecimento e as habilidades que você conseguirá através de uma pós-graduação, por exemplo, farão de você um melhor professor e colega de escola. Voltando ao papel de aluno, você perceberá o porquê de algumas práticas de ensino e jogará fora outras que técnicas que pratica há tempos simplesmente por sentir na pele a ineficiência delas. Novas ideias ampliarão o seu repertório.

4. Mantenha sua paixão acesa

É bastante comum, infelizmente, professores experientes afirmarem que já não têm mais o mesmo entusiasmo que tinham quando começaram a lecionar. É difícil mesmo manter o fervor de um novato. Contudo, fazer as coisas sempre do mesmo jeito, entra ano sai ano, certamente não é a melhor fórmula para correr essa prova de longa distância que é o magistério.

Bons professores não precisam ficar copiando o que há de mais popular nas salas de aula dos outros, mas vale muito ficar por dentro das tendências atuais de ensino. Por que não seguir educadores – os que pesquisam e os que fazem educação – nas redes sociais? Inscreva-se em seminários, vá às feiras, participe de workshops de outros professores que inspiram. Leia livros inovadores sobre como ensinar. Participe de grupos de professores. E, sobretudo, experimente métodos eficazes que outros professores praticam, mas que você mesmo nunca tentou. Sala de aula invertida ou aprendizado por projetos? Talvez os dois! Converse, pergunte, peça dicas, arrisque-se um pouco mais. Ensinar é um processo em constante evolução, não há linha de chegada. Você deve ocasionalmente ajustar sua filosofia e prática para causar impacto.

5. Trabalhe da maneira mais inteligente, não da mais difícil

Planejamento

A quantidade de planejamento, organização e comunicação que entra no dia-a-dia escolar do professor é esmagadora, para dizer o mínimo. É essencial aprender estratégias e implementar sistemas que ajudem a reduzir a carga de trabalho. Há muitos livros e vídeos de profissionais experientes que fornecem estratégias que tornam o malabarismo diário mais administrável. Além disso, existem produtos projetados especificamente para ajudar os professores a se manterem organizados, como bancos de questões, listas digitais de afazeres, organizadores de arquivos na nuvem e aplicativos de comunicação escolar.

Uma das maneiras mais simples de se trabalhar de forma mais inteligente é utilizando a tecnologia. Muitos professores usam armazenamento de arquivos baseado em nuvem para seus planos de aula, textos selecionados e apresentações. Isso permite acessar todos os seus documentos de qualquer lugar e compartilhá-los facilmente com os colegas e alunos. Você também pode simplificar a comunicação em sala de aula com aplicativos. Uma boa parte dos que estão disponíveis permitem que você envie mensagens para os pais, fotos de turmas, notas, calendários e inscrições. Mergulhar no Google para buscar questões prontas para suas avaliações pode se tornar uma tarefa demorada e sem qualquer garantia de que as questões não precisarão ainda de muito trabalho até ficarem adequadas para os seus alunos. Ter acesso a bancos de questões confiáveis, com buscas inteligentes e interface amigável é uma excelente estratégia para ganhos de eficiência. Já conhece o Lecionas? 🙂

6. Não se negligencie, cuide da sua saúde

Um velho provérbio diz: “Não se pode derramar água de um copo vazio”.  Alguns professores, com seus corações enormes e um grande senso de missão, muitas vezes se doam tanto que não têm mais nenhuma gota para si mesmos. Outros o fazem pela necessidade de trabalharem duro, às vezes em várias escolas. Não importa, o resultado é o mesmo: sofrimento físico e mental.

Outra pesquisa nacional nos EUA mostra que 61% dos professores estão estressados, com 58% descrevendo sua saúde mental como “não satisfatória”. Isso se traduz em perda de produtividade e ineficiência, sem mencionar os gastos com saúde na casa dos bilhões.

É essencial investir em si mesmo como indivíduo, longe da escola. Passe tempo com amigos e familiares. Dedique-se a interesses que não a educação. Lembre-se de quem você era antes de se tornar um professor. Relaxe quando você precisar relaxar. Professores eficazes dão tudo o que têm, mas, para sustentar esse esforço, eles também sabem que devem praticar o autocuidado. E, por favor, não fique falando de escola e de alunos o tempo todo quando não estiver trabalhando.

7. Não fique no "basicão", use seu talento para ensinar

Ensinar é uma experiência expansiva. Tente encontrar a área que mais traz inspiração e invista sua energia lá. Talvez você goste de drama e encenação: misture a leitura de um roteiro à sua aula de linguagem, de gramática ou até de alfabetização. Quem sabe você esteja fascinado com robôs: incorpore codificação com minibots em suas aulas de matemática ou de qualquer projeto maker. Descubra para ontem o significado da sigla STEM. Se liderança é a sua força, seja voluntário para capitanear uma atividade com os alunos, assuma responsabilidades na escola, sugira a criação de um comitê ou dois para alguma demanda específica.

É claro que sempre haverá as partes obrigatórias e mais chatas de qualquer trabalho, que exigirão uma certa atitude do tipo “aceita que dói menos”. Descobrir quais são essas partes varia para cada pessoa. Mas tente passar por elas com rapidez e eficiência, simplesmente para que elas terminem logo. Assim você guarda sua paixão pelas coisas que lhe trazem a maior senso recompensa. Procrastinadores tendem a cometer o erro de permanecer tempo demais sendo assombrados por tarefas que detestam. Se você não suporta corrigir avaliações, comece a corrigi-las assim que recebê-las. Se calcular e lançar notas dos alunos parece uma tortura, não faça disso a tormenta de uma semana.

Por fim, ajude os mais novos a compreenderem e experimentarem bem a carreira. Quando estamos muito estressados mas tentando ajudar no treinamento de outros professores ou aspirantes ao magistério, tendemos a lembrar que todas os desafios e experiências que passamos são de serventia para orientar alguém que vem depois de nós. Isso traz a sensação de utilidade e de que “estou fazendo algo certo”.