Professores: a chave para uma educação de primeira

Melhorar a eficácia, a eficiência e a equidade da educação depende, em grande parte, de garantir que pessoas competentes queiram trabalhar como professores, que seu ensino seja de alta qualidade e que ele seja oferecido a todos os alunos. Mas o que pode ser feito para que isso se torne realidade? Que políticas relacionadas a professores devem ser colocadas em prática?

Desde 2000 e a cada 3 anos, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aplica o PISA, que é o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Program for International Student Assessment, em inglês). Como o nome sugere, ele consiste em uma avaliação realizada internacionalmente para medir o nível de proficiência de jovens de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências. Assim, busca-se fomentar discussões sobre como melhorar a qualidade da educação básica em diferentes países. Embora não faça parte da OCDE, o Brasil participa do PISA como convidado desde sua primeira versão.

Com base nos resultados do PISA, a OCDE produz diversas publicações com descobertas e questionamentos. Uma delas, de junho de 2018, chama-se “Políticas Eficazes para Professores” e foi preparada também a partir das respostas de uma pesquisa feita com educadores no PISA 2015. A principal premissa desse estudo reflete algo que intuitivamente muitos de nós já sabíamos: os professores são o recurso mais importante nas escolas e o que gera maior impacto no aprendizado dos alunos. Entretanto, a publicação vai além para responder a 3 perguntas:

  1. Como os países com melhor desempenho selecionam, desenvolvem, avaliam e remuneram os professores? 
  2. Como a distribuição dos professores nas escolas afeta a equidade dos sistemas educacionais? 
  3. E como os países podem atrair e reter pessoas talentosas para o magistério?

O que os dados dizem

  • Diversos métodos de seleção, avaliação e remuneração de professores podem ser encontrados nos países com melhor desempenho no PISA. Mas pelo menos três elementos tendem a ser comuns entre suas políticas para professores: 1) um período obrigatório e prolongado de experiência de campo (estágio) como parte da formação inicial; 2) a oferta de oportunidades de treinamento e capacitação, tais como workshops organizados por escolas; e 3) mecanismos de avaliação de professores com um forte foco em seu desenvolvimento contínuo.
  • A maioria dos países que participaram do PISA em 2015 compensou as escolas mais carentes com a implementação de turmas menores e/ou com menores proporções aluno-professor. Contudo, em mais de um terço dos países, os professores das escolas mais desfavorecidas eram menos qualificados ou menos experientes do que os das escolas mais favorecidas.
  • Cerca de 4,2% dos alunos de 15 anos desejavam trabalhar como professores – uma proporção maior do que a atual penetração de professores na população adulta dos países pesquisados.
  • Em muitos países, os estudantes que desejavam trabalhar como professores tinham habilidades matemáticas e de leitura mais fracas do que os estudantes que esperavam trabalhar em outras profissões que, como o magistério, exigem pelo menos um diploma universitário. 
  • Países com salários mais altos de professores (em relação ao PIB) tiveram, em média, maiores percentagens de estudantes que desejavam trabalhar como professores.

Implicações para políticas relacionadas a professores

Os resultados mostram que, ao contrário do que se possa supor, os sistemas educacionais de alto desempenho não são melhores devido a um respeito natural pelos professores na sociedade. Eles também construíram uma força de ensino de qualidade como consequência de escolhas políticas deliberadas, cuidadosamente implementadas ao longo do tempo. As descobertas também mostram que existem vários modelos a partir dos quais outros países podem obter inspiração, já que altos desempenhos são encontrados em três continentes e em países com diferentes tradições de governança pública.

Um segundo ponto importante é que deve-se dar mais atenção a como os professores são alocados às escolas. Isso inclui não apenas monitorar o número de professores em cada uma, mas também acompanhar de perto suas qualificações, experiência e eficácia. Os sistemas devem se esforçar para alocar professores de qualidade, e não apenas mais professores, para alunos carentes.

É fundamental também que se tenha uma preocupação maior com o treinamento inicial dos professores. Além disso, iniciativas de mentoring e oportunidades de desenvolvimento profissional são essenciais para equipar os professores com as habilidades necessárias para trabalhar em escolas carentes e com uma compreensão melhor dos contextos sociais dessas escolas e seus alunos. Apoiar os professores em suas tarefas mais desafiadoras também pode ajudar a garantir que professores experientes permaneçam na profissão.

Por último, o ponto mais óbvio: para que se atraia talentos para o magistério, uma das principais medidas a serem tomadas é tornar a profissão mais sedutora para os candidatos. Isso inclui as oportunidades de desenvolvimento citadas acima, mas especialmente uma melhora na remuneração dos professores e a construção de um plano de carreira. Como a pesquisa mostra, ser professor já é uma aspiração para um percentual significativo dos estudantes, então é preciso que não deixemos esse desejo esvaecer por motivos econômicos.